quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SABERES FUNDAMENTAIS «CLC / DR1» ( O Elemento )



                                


                                  
                                                         
                                
                                  Reflexão Final


             É em quase meio século que se pode medir o meu percurso de vida que é já suficientemente longo para eu poder fazer um pequeno balanço. Cresci, amparada por pais que se preocupavam com o meu futuro, por isso mesmo, sempre tentaram proteger-me e poupar-me, assim como às minhas irmãs, de agruras, mostrando-nos sempre o lado mais bonito da vida.
- “…Estudem, tirem um curso, não tenham pressa em casar…”, foram muitas as vezes que ouvi estes conselhos, mas não é o que dizem todos os pais, da mesma forma que o dizemos hoje aos nossos filhos? Mas é verdade também que da mesma forma que os nossos filhos pensam que nem sempre temos razão, também eu, não tomei a devida consideração por essas advertências. Embora desde muito cedo me tivesse sentido atraída por três profissões, a de cabeleireira, professora ou enfermeira, é mais certo ainda que a vontade de me casar e ter filhos se sobrepunha ao resto.
Há já algum tempo que deixei de acreditar em casualidades e creio que me estava destinada uma outra trajectória de vida, e não a da concretização de uma carreira profissional, pelo menos naquela época. São já conhecidos os factos, por mim relatados na autobiografia, uma gravidez não planeada, o falecimento da minha mãe e um casamento apressado. Foram os motivos porque não continuei os estudos? Ou não continuei os estudos, porque tinha de estar mais presente, num momento tão difícil para toda a família? Não sei, só Deus sabe, mas uma gravidez aos 18 anos e naquela época, não havia outra alternativa.
Abandonei os estudos para me casar e embora ainda estivesse grávida, de certa forma, fui mãe aos 18 anos, das minhas duas irmãs, mesmo antes de dar à luz o meu primeiro filho. Embora por razões menos felizes, fui obrigada a amadurecer mais depressa do que muitas outras jovens, senti que me tornei muito mais adulta, pouco tempo depois senti uma grande felicidade ao ser mãe e senti-me realizada como mulher. Foi com a ajuda de Deus, dos meus filhos e de toda a família, dos amigos e vizinhos, que se desdobraram em atenções, que a minha vida foi transcorrendo com alguma normalidade.
Foi uma vida em função de toda a minha família e das suas necessidades, dos amigos e vizinhos que a mim recorriam, sabendo da minha sempre pronta disposição em ajudar, que me faziam sentir feliz e realizada: o pedido de uma mãe, para fazer pinturas de carnaval às filhas, raparigas que ao fim-de-semana apareciam em grupo na minha casa, para que as maquilhasse para as idas à discoteca; uma vizinha que necessitasse que lhe colocasse rolos no cabelo ou a penteasse; uma noiva que necessitasse que a maquilhasse e a ajudasse a preparar-se para o seu casamento ou simplesmente alguém que necessitasse de um pequeno arranjo de costura, eram para mim motivos de satisfação, de me sentir útil e realizada, mesmo sem nenhuma compensação económica. Bastava-me ver a satisfação espelhada nos seus rostos e o brilho reflectido nos seus olhos, para me sentir recompensada e agradecida.
Foi talvez, por todas estas circunstâncias, pelo sentimento de plena realização e pela confiança de que sempre assim seria, que não dei demasiada importância ao facto de não ter terminado o ensino secundário, nem ao facto de não ter uma qualificação profissional. Entretanto, alguns factos alteraram o rumo da minha vida, encontrando-me agora com necessidade de um posto de trabalho que me garanta a subsistência e a minha independência económica. Tudo isto, aliado ao facto da necessidade de um maior convívio social extra familiar, e uma promessa que espero conseguir cumprir, são os motivos que me levaram a querer retomar os estudos.
O meu percurso, no processo de reconhecimento, validação e certificação de competências, para completar o ensino secundário, teve início oficialmente no dia 22 de Fevereiro de 2010, embora, já antes, tivesse assistido a algumas sessões de esclarecimento. Foi-me explicada a metodologia utilizada neste processo e a forma como deveria evidenciar as minhas aprendizagens ao longo da vida, para poder validar todas as competências por mim adquiridas.
Muito se tem falado sobre este método, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam e opinam, este processo não é nada fácil. Recomendo até, aos que não acreditam na sua dificuldade e no empenho necessário para o completar, que se tiverem amigos, familiares ou conhecidos a frequentar este processo, se atrevam também a desenvolver alguns desses temas e já agora, sugerir aos formadores a sua colaboração, avaliando o referido desenvolvimento, para que se acabe com a ideia, de que este processo existe só para oferecer diplomas.

Todos os formadores e elementos envolvidos no meu processo RVCC, foram extremamente simpáticos e solidários, evidenciando sempre a sua total disponibilidade para me ajudar e orientarem durante todo o processo, mas foram também bastante exigentes, quanto à elaboração e à apresentação dos temas sugeridos.
Estou agora, na recta final deste processo, passei por momentos muito difíceis durante a elaboração de alguns trabalhos, senti até vontade de desistir, pela dificuldade em aprofundar temas em determinados contextos, porque desses temas, tinha apenas vagos conhecimentos. A exigência imposta, obrigou-me, não só a uma melhor autoavaliação das minhas competências, mas também a adquirir novas em cada aprofundamento dos diversos temas propostos.
Apesar das dificuldades sentidas, o balanço que faço é positivo, pela oportunidade de completar o 12º ano, o enriquecimento de conhecimentos com novos saberes que se uniram aos que eu já possuía e sobretudo vencer a batalha que cada proposta de trabalho me exige, mas que com a ajuda de Deus e todos os que me querem bem e respeitam, tenho conseguido vencer. Pretendo continuar a estudar porque gostaria de completar as minhas habilitações literárias com uma formação na área da Acção Educativa. Espero por isso concluir com êxito o Processo RVCC, para completar o 12º ano e quem sabe com a ajuda de Deus, conseguir finalmente um trabalho onde me sinta realizada e ao mesmo tempo possa tornar-me economicamente independente, e que contra o que todos julgam, incluindo eu, apesar da minha idade, eu possa ainda vir a concretizar esse desejo.
 Resta-me finalmente agradecer a Deus, aos meus formadores e a todos aqueles que estiveram envolvidos no meu processo, pelo respeito, pela simpatia e pela valiosa ajuda prestada. Deus vos abençoe!

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